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sábado, 10 de março de 2018

Abuso infantil: pois muitos silenciam perante esse tema

Escrevo este artigo com o objetivo de ajudar as crianças que a cada vez mais estão sendo vítimas de violência e abuso infantil.

Através deste texto, convido todos á uma reflexão sobre esse chocante tema do abuso sexual infantil que é hoje um grave problema de saúde pública segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

As vítimas de abuso sexual são crianças e adolescentes de ambos os sexos e todas as classes sociais.

O abuso sexual infantil é definido por práticas eróticas e sexuais impostas às crianças ou adolescentes por violência física, ameaça ou indução e podem variar desde atos em que não existam contato físico (assédio, voyeurismo, exibicionismo) e outros diferentes atos com contato físico.

Vale ressaltar que a indução, sedução e erotização de uma criança já se considera abuso.

Entre os adultos o abuso sexual é definido como todo relacionamento em que a sexualidade é explorada sem o consentimento de uma das partes envolvidas.

O abuso sexual infantil gera problemas sociais, psicológicos e cognitivos por toda a vida e feridas profundas que podem ser invisíveis.

A criança abusada pode vir a negar ou reprimir os seus sentimentos decorrentes do ato abusivo, pois ela se sente em conflito entre ter que ser fiel ao abusador (Que a ameaça e que normalmente a agrada), não contando a ninguém o que está acontecendo.

O conflito se dá porque a criança não tem consciência de que o que está acontecendo é errado, mas a sua sensação é de um profundo abandono. A criança sente medo de que o abusador possa vir a se vingar dela ou de sua família, caso ela conte a alguém, pode sentir também vergonha e até medo de que a sua família se desfaça caso o “segredo” seja revelado.

Normalmente a sexualidade é uma expressão do amor e quando essa é violada, torna-se uma agressão e traição ao amor.

É preciso que pais e cuidadores fiquem atentos, pois de alguma maneira a criança vai manifestar que algo está errado com ela, seja no sono, na alimentação, no rendimento escolar, por isso é importante conhecer bem a sua criança, certamente se um abuso estiver ocorrendo, ela dará sinais mesmo que sutis.

A vivacidade infantil da criança que está sendo abusada se apaga e ela pode manifestar que seu corpo é sujo.

Os sintomas mais comuns apresentados são:

· Transtorno de stress pós traumático;
· Angústia;
· Dificuldade de concentração;
· Irritabilidade;
· Terror noturno;
· Lapsos de memória;
· Transtorno de ansiedade;
· Depressão;
· Isolamento social;
· Raiva;
· Hostilidade;
· Problemas gástricos;
· Encoprese;
· Enurese;
· Reações fóbicas;
· Transtornos alimentares;
· Baixo rendimento escolar;
· Medo;
· Baixa auto estima.

A maioria dos estudos apontam, que grande parte dos abusos sexuais contra a infância e adolescência são cometidos por pessoas muito próximas.

Normalmente o agressor é alguém conhecido, carinhoso e que conquista a confiança de toda a família.

Os pais precisam manter um diálogo aberto e acolhedor com seus filhos. Educação sexual não deve ser tabu, o assunto da sexualidade deve ser tratado de forma natural, se os pais expuserem para a criança que o sexo é uma coisa suja, o abusador vai se aproveitar disso.

A criança precisa ter consciência de que está sendo violada, pois muitas vezes ela não tem a compreensão do que está sendo feito com ela e ainda se sente culpada. Os pais devem ensinar a criança de maneira simples e objetiva, que o ato sexual entre criança e adulto é errado.

Durante o banho ou higiene, por exemplo, é recomendável orientar aos filhos de que ninguém pode tocá-los fora desse contexto.

O desenvolvimento infantil acontece de maneira muito mais saudável se são mantidas relações estruturadas no âmbito familiar. Relações bem estabelecidas entre pais e filhos perduram e influenciam toda a história da criança.

Toda criança sente prazer em seus genitais e é normal que elas se masturbem, apesar de muitos pais se sentirem chocados com isso, mas essa questão precisa ser tratada com naturalidade, elas não devem ser culpadas por suas sensações, precisam ser orientadas de que a situação com o agressor é errada.

O abuso sexual que se instala com a sedução, traz sensações fisiológicas de excitação que a criança não tem estrutura para elaborar psiquicamente. Isso gera uma hiperexcitação que pode se transformar em ansiedade ou hipersexualização em que ela é forçada a um desenvolvimento fálico ou genital precoce (ANNA FREUD, 1993, p. 14).

É preciso acolher nossas crianças e as que estão sendo violentadas precisam ter um acompanhamento psicológico com profissional capacitado.

A recuperação do trauma vai depender da idade em que a criança foi vítima, a proximidade com o abusador e o tempo em que a criança foi violentada.

No tratamento psicológico, o profissional precisa atender a criança, sempre respeitando os seus limites e também atender aos familiares orientando-os e também os acolhendo.

“O erotismo é uma interrogação e sempre será, o que quer que diga qualquer determinação futura.

Por um lado, ele pertence à natureza animal primitiva do homem, que existirá sempre enquanto o homem tiver um corpo animal. Por outro lado, porém, ele é aparentado às formas mais elevadas do espírito. Mas ele só floresce quando espírito e instinto estão na sintonia correta. Quando falta um desses aspectos ocorre um dano, ou pelo menos uma unilateralidade, um desequilíbrio, que pode facilmente desembocar em algo doentio (JUNG, 2005, p.31)”.

A participação de toda a sociedade é fundamental para que consigamos juntos extinguir à violência contra o menor. Divulguem este artigo para que o maior número de pais e cuidadores recebam orientação e assim consigam prevenir que suas crianças não sofram essa agressão.

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475

Fonte: Ministério da Saúde, 2002

Vídeo sobre a prevenção do abuso sexual infantil

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