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segunda-feira, 20 de março de 2017

Como entender o funcionamento de uma psicoterapia?

Antes de mais nada, para promover ou auxiliar na recuperação de problemas emocionais ou de saúde mental. Muitas pessoas ainda acreditam que buscar psicoterapia é assumir-se “louco”, quando na verdade buscar terapia é um ato de coragem de pessoas humanas, que desejam adquirir autoconhecimento, melhorar suas relações, compreender seus sentimentos.





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O fato é que crescemos acreditando que, buscar ajuda dos outros em momentos de angústia pode ser indicativo de muita fragilidade. 
Por alguma razão, fomos criados a pensar que devemos ser completamente autossuficientes e, nesse sentido, buscar ajuda pode ser entendido como um imenso sinal de fraqueza, de falta de vontade ou de caráter.

Entretanto, não sei se é de seu conhecimento, mas uma em cada quatro pessoas no mundo será afetada por algum transtorno mental no curso de sua vida.

E quais doenças (ou tronstornos mentais, como também são chamados) seriam esses?

Para citar alguns: transtorno depressivo, bipolar do humor, obsessivo-compulsivo, de pânico, alimentar (bulimia ou anorexia nervosas), da personalidade, estresse pós-traumático, déficit de atenção/hiperatividade, esquizofrenia, dentre outros, apresentam ótimas respostas ao tratamento psicoterapêutico.

A depressão, por exemplo, é um dos transtornos mentais mais comuns e considerada, inclusive, uma das principais doenças. Veja só, no mundo, cerca de 400 milhões de pessoas de todas as idades sofrem com a depressão e, em 2020, estima-se estar no rol das doenças mais incapacitantes do mundo.

No Brasil, por exemplo, 7,6% dos adultos já foram diagnosticados com depressão, o que equivale a dizer que 11 milhões de pessoas sofrem com o problema.

Existem componentes genéticos – que podem predispor algumas pessoas à doença -, entretanto, fatores externos da vida atual, como o estresse e a grande competitividade da vida profissional, podem favorecer o aparecimento da doença que, diga-se de passagem, tem aumentado nos grandes centros, segundo apontam várias pesquisas.

Caso você não saiba, no Brasil, as mortes por depressão cresceram 705% em 16 anos. Preocupante, não acha?…

O problema é que, embora os tratamentos, muitas vezes, estejam disponíveis e sejam eficazes para aliviar o sofrimento causado, quase dois terços das pessoas com algum transtorno mental jamais procurarão ajuda de um profissional de saúde.

Isso se deve, principalmente, ao preconceito (ou seja, falta de informação), estigma ou ainda medo de ser discriminado, impedindo assim que esses problemas sejam tratados corretamente, perpetuando o sofrimento por uma vida toda.

As evidências dos benefícios de uma psicoterapia são tão positivamente avaliadas que valem a pena ser citadas.
Um exemplo: duas sessões de 1h30min (apenas) foram associadas a uma diminuição de 33% de desenvolvimento de transtornos mentais em adolescentes, conforme concluiu uma importante investigação conduzida entre universidades do Canadá e da Europa.

E a investigação não parou por aí. A cada seis meses, os adolescentes envolvidos fizeram testes para a averiguação dos resultados e que, além da diminuição da depressão, ansiedade, transtornos do pânico, e problemas de interação social decaíram sensivelmente.

Como entender o funcionamento de uma psicoterapia?

Em uma psicoterapia, os profissionais aplicam técnicas cientificamente validadas para ajudar as pessoas a desenvolverem hábitos mais saudáveis. Como é fundamentada no diálogo, ela fornece um ambiente de apoio que permite ao paciente falar de maneira aberta e sem barreiras com o profissional de saúde.

E, vale dizer, esse processo tem como objetivo identificar (e mudar) alguns padrões de pensamento, de resposta emocional indesejada e de comportamentos inadequados que, muitas vezes, se perpetuam por longos períodos, impedindo que se possa atingir o conhecido bem-estar.

Mas quando buscar ajuda?

Por causa dos muitos equívocos sobre psicoterapia, muitas pessoas ficam relutantes em buscar esse tipo de recurso terapêutico.

Entretanto, algumas pessoas procuram a psicoterapia quando se sentem deprimidas, ansiosas ou ainda quando permanecem irritadas por longos períodos de tempo. Outros ainda podem recorrer a auxílio para tratar doenças crônicas que interferem em seu bem-estar emocional ou físico.

Outras ainda podem ter problemas de curto prazo que precisam de ajuda específica, como, por exemplo: situações de divórcio, desemprego ou morte de algum membro da família.

Vale ressaltar que, a psicoterapia deveria ser feita por todas as pessoas, independente de sofrimento emocional ou não. Ou seja, não é preciso haver um `problema` para buscar a psicoterapia.

Alguns outros sinais, que seriam indicativos de uma boa psicoterapia, incluem: 

Sensação prolongada de mau-humor, desamparo ou tristeza;
Preocupação excessiva e agressividade;
Uso abusivo de álcool ou drogas (ou ainda outros vícios);
Ansiedade desmedida ou sensações de medo sentidas através de certas fobias especificas;
Alteração brusca e/ou acentuada de humor;
Baixa autoestima e insegurança pessoal;
Problemas com o corpo ou com os estilos de alimentação;
Incapacidade de controlar certos comportamentos (compra excessiva, por exemplo);
Problemas constantes de relacionamento interpessoal (afetivo, familiar ou no trabalho), dentre outros;
Experiências dolorosas atuais ou passadas e, finalmente, os conhecidos traumas de infância. 

Como a psicoterapia afeta o cérebro?

Padrões de ativação cerebral são observados em indivíduos que passam por sessões de psicoterapia. Dessa forma, ao se modificarem os estilos de pensamento e de comportamento de um paciente, exames de PET-SCAN (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons) indicaram que tais mudanças levaram a alterações metabólicas significativas no cérebro dos pacientes, ou seja, falar de si e dos problemas promove alterações cerebrais importantes.

Conclusão

A maioria dos transtornos mentais tem tratamento, embora muitas pessoas não saibam que esse pode ser a causa principal de seu sofrimento e, por isso, não buscam ajuda.

A cada dia novas técnicas são testadas e assim a psicoterapia científica é considerada hoje uma das principais ferramentas para alívio do sofrimento e construção do bem-estar individual.

É por essa razão que a psicoterapia é chamada também de “fala curativa”, pois ao narrarmos nossas aflições, ampliamos nossa visão de mundo e, com ela, também nos modificamos (seja do ponto de vista psicológico, como também bioquímico).

Assim, vai minha dica: busque ajuda, não espere. Uma pessoa que busca ajuda psicoterapêutica não é fraca, incompetente ou louca, conforme erroneamente se pensa.

Muitos problemas de saúde mental, ao contrário do que se imagina, não melhoram com o passar do tempo, portanto, não prolongue desnecessariamente sua angústia e aflição.

A esse respeito certa vez Abraham Maslow afirmou: “O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência de si mesma.”

Cuide-se! Fonte: Uol Saúde. 


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